Segunda-feira, 25 de Outubro de 2010
Dieta melhora sobrevida de pacientes que tiveram cancro de mama

Pesquisadores norte-americanos publicaram na revista Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention um estudo que mostra que uma dieta classificada de boa qualidade está associada a menores níveis de inflamação crónica em pacientes que sobreviveram ao cancro de mama.

Existem evidências de que hábitos de vida saudáveis, incluindo a qualidade da dieta, podem estar associados com melhor sobrevida em pacientes que tiveram cancro de mama.

Estudos científicos têm destacado a importância do valor prognóstico da inflamação e da resposta imune em mulheres em estágio inicial do cancro de mama. Entre as sobreviventes do cancro de mama, maiores concentrações de proteína C-reativa (PCR) e amilóide A sérica (SAA), que são marcadores de inflamação crónica, têm sido associados com pior sobrevida.

Estes biomarcadores relacionados à sobrevida são importantes para estudar a relação entre as escolhas dos padrões alimentares após o diagnóstico do cancro de mama e a inflamação crónica, pois alguns componentes da dieta possuem propriedades pró ou anti-inflamatórias.

Assim, o objetivo dos pesquisadores foi investigar como a qualidade da dieta está relacionada com biomarcadores da inflamação em mulheres sobreviventes ao cancro de mama e determinar se a actividade física pode modificar as associações observadas.

Participaram no estudo 746 mulheres com diagnóstico de cancro de mama em todos os estágios. As mulheres deveriam ter pelo menos seis meses de diagnóstico da doença e foram acompanhas durante trinta meses.

Os biomarcadores de inflamação analisados foram as concentrações séricas de proteina C-reativa (PCR) e proteina amiloide A sérica (SAA), além de hormonas produzidos pelo tecido adiposo, como a leptina e adiponectina.

Para avaliar o consumo alimentar durante os trinta meses, foi utilizado um questionário de frequência alimentar (QFA), desenvolvido e validado pelo Women's Health Initiative, conhecido como questionário WHI-FFQ,  adaptado pelo Health Habits and Lifestyle Questionnaire. Este questionário é capaz de detectar os alimentos relevantes para grupos populacionais multiétnico e geograficamente diversificado, produzindo com confiança as estimativas que correspondem ao consumo alimentar dos indivíduos.

A qualidade da dieta foi medida através do Healthy Eating Index-2005 (Índice de alimentação saudável - HEI-2005), que utiliza uma abordagem com 12 componentes alimentares considerados importantes para a qualidade alimentar (como sumo de fruta, frutas, vegetais em geral, vegetais verde-escuros e amarelados e legumes, grãos totais, grãos integrais, leite, carne e feijão, óleos, gordura saturada, sódio e por fim calorias de gorduras sólidas, bebidas alcoólicas e açúcares adicionados).

A classificação dos pontos foi feita em quartis (Q1 a Q4), em que quanto menor (Q1) a pontuação pior a qualidade da dieta e quanto maior (Q4), melhor a qualidade.

As mulheres que apresentaram melhor qualidade alimentar, quando comparadas com aquelas com pior qualidade (Q4 versus Q1), apresentaram concentrações significativamente mais baixas de PCR (1,6 mg/L versus 2,5 mg/L, p=0,004). No entanto, não houve diferença significativa nas concentrações de SAA, leptina e adiponectina.

Quando os pesquisadores avaliaram individualmente cada componente alimentar, os níveis mais altos no consumo de vegetais verdes-escuros e amarelados e legumes foram significativamente associados com menores concentrações de PCR. A dieta de melhor qualidade foi associada com menores concentrações de PCR mesmo entre as mulheres que não realizam actividade física. Os pesquisadores relataram que não foram encontradas evidências entre menor índice de massa corporal e menor concentração de PCR.

Afirmam os investigadores que “O nosso estudo preenche uma lacuna importante na literatura, definindo a inflamação como um mecanismo potencial pelo qual a qualidade da dieta pode afectar a sobrevida, independentemente da idade, raça, consumo calórico, IMC e actividade física. Isso sugere que entre mulheres que sobreviveram ao cancro de mama, consumindo uma dieta de melhor qualidade, podem obter menores níveis de inflamação crónica e este factor está associado ao aumento da sobrevida”, comentam os pesquisadores.


Referência(s)

- George SM, Neuhouser ML, Mayne ST, Irwin ML, Albanes D, Gail MH, et al. Postdiagnosis diet quality is inversely related to a biomarker of inflammation among breast cancer survivors. Cancer Epidemiol Biomarkers Prev. 2010;19(9):2220-8.

 

- www.nutritotal.com.br

 

publicado por Cátia Pontes às 15:43
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